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quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Salvador Novo



Dueño Mio



Não podes, dono meu, ficar comigo?


Não posso dividir contigo o leito?


Só quero ao coração sentir teu peito,


Ouvir baixinho os ecos do que te digo.




Passar a noite inteira, meu amigo,


Calado ao teu calor, no abraço estreito


A vida te entregar,e, sastifeito,


Tomar por novo lar tão breve abrigo.




Partir é nescessário infelizmente


E o leito agora encaro com tristeza:


Tão vasto, tão vazio, e nada quente!




À noite, novamente à mesma mesa,


Jantamos, o meu medo já presente:


Dormir contigo é vão; sonhar certeza.


(Salvador Novo)




literatura hispano americana.



Salvador Novo, Nasceu em 1904, na Cidade doe México. Fundador, junto con Xavier Villaurrutia, das revistas Ulises (1927) e Contemporáneos (1928), foi ativo participante na renovação da literatura nacional (mexicana) Premio Nacional de Literatura em 1967.
Novo revitalizou a poesia hispano-america com seus versos homoeróticos. ostentando sua homossexualidade em uma época em que os gays mexicanso ainda eram presos e condenados a trabalhos forçados. O poeta brasileiro Glauco Mattoso traduziu alguns poemas de Salvador Novo.
Obras publicadas: XX poemas (1925), Nuevo amor (1933), Espejo (1933), Seamen Rhymes (1934), Décimas en el mar (1934), Romance de Angelillo y Adela (1934), Poemas proletarios (1934), Never ever (1934), Un poema (1937), Poesías escogidas (1938), Dueño mío. Cuatro sonetos inéditos (1944), Decimos: "Nuestra tierra" (1944), Florido laude (1945), Dieciocho sonetos (1955), Poesía 1915-1955 (incluye Poemas de infancia, 1955), Sátira (1955) y Poesía (l961).




domingo, 3 de agosto de 2008

Sobre Fernando Pessoa


Fernando levou uma vida anonima e solitaria, morreu em 1935, de cirrose hepática. Ele nasceu em 1888. Viveu 47 anos inquietos cheios de pessoas dentro de si. Precisava de esvaziamaneto.

Ele é um dos maiores escritores em Lingua Portuguesa.

O fenomeno de heteronimos não resolveu uma questão que Persegue-o por toda a sua vida: a eterna procura e o descobrimento do eu, a mutiplicação da identidade.

Dentre as grande obras de Pessoa, destacam-se os belissimos poemas de Mensagem. Obra que conclui uma releitura do destino de Portugal.

Para se ler Pessoa, tem de se estar de olhos bem abertos, ele não é apenas escritor, é um mago... e a magia dele pode dilacerar a alma...... portanto Cuidado.
Fernando Pessoa
Não sei quantas almas tenho

Não sei quantas almas tenho.
Cada momento mudei.
Continuamente me estranho.
Nunca me vi nem acabei.
De tanto ser, só tenho alma.
Quem tem alma não tem calma.
Quem vê é só o que vê,
Quem sente não é quem é,
Atento ao que sou e vejo,
Torno-me eles e não eu.
Cada meu sonho ou desejo
É do que nasce e não meu.
Sou minha própria paisagem;
Assisto à minha passagem,
Diverso, móbil e só,
Não sei sentir-me onde estou.
Por isso, alheio, vou lendo
Como páginas, meu ser.
O que segue não prevendo,
O que passou a esquecer.
Noto à margem do que li
O que julguei que senti.
Releio e digo :
"Fui eu ?"
Deus sabe, porque o escreveu.